terça-feira, 19 de agosto de 2014

Conto de escola



  • A história, que se passa em 1840, é narrada em primeira pessoa por um narrador já adulto, Seu Pilar, que analisa criticamente um fato ocorrido em sua infância.
Na manhã de uma segunda-feira, Pilar não conseguia decidir qual seria o melhor lugar para brincar: o morro de São Diogo ou o campo de Sant’Anna. Lembrando-se da surra que levara do pai por causa de dois suetos na semana anterior, porém, resolveu deixar a brincadeira de lado e ir à escola.
O pai de Pilar, um velho empregado de Guerra, era um homem ríspido e intolerante. Sonhava em ver o filho se tornar um comerciante com boa leitura e ótimo nos cálculos. Para não desapontá-lo, Seu Pilar tornara-se o melhor aluno da classe, era sempre o primeiro a terminar as atividades.
Na escola, o menino tinha um colega chamado Raimundo, uma criança fina e pálida, não muito inteligente, que precisava se esforçar ao máximo para aprender as lições, já que seu pai era professor. Conhecendo a capacidade de Seu Pilar, Raimundo pediu-lhe que o ajudasse com as lições da escola em troca de uma moeda de prata. No início, Seu Pilar pensou que fosse brincadeira, mas ao ver a moeda acabou aceitando a proposta.
Feito o acordo, os meninos precisavam mantê-lo em sigilo, pois se o professor descobrisse certamente os castigarias. Contudo, o colega Curvelo ficou a observar os dois garotos com um riso maldoso no rosto.
Seu Pilar já estava sonhando com a moeda em seu bolso quando o mestre chamou os dois colegas. Ao lado do professor estava Curvelo, que os havia delatado. Furioso, o professor pediu a moeda a Seu Pilar, jogou-a pela janela, chamou os meninos de sem-vergonha e aplicou-lhes um castigo.
Depois do castigo, Seu Pilar jurou que daria uns socos em Curvelo. Sabendo da raiva do colega, porém, o delator sumiu rapidinho depois da aula.
Na noite seguinte, Seu Pilar sonhou que tinha encontrado a moeda na rua. Ao acordar, levantou-se rapidamente e vestiu a calça nova que ganhara de presente da mãe. Tinha esperança de encontrar a moeda no caminho da escola, mas durante a caminhada cruzou com o batalhão de fuzileiros e, influenciado pelo som dos tambores, preferiu segui-los a ir para o colégio.
No final da manhã, Seu Pilar percebeu que estava na praia de Gamboa. Retornou, então, para a sua casa, sem a moeda e sem ressentimento na alma. No final, o narrador pondera que Raimundo e Curvelo haviam sido os primeiros a lhe ensinar o que era corrupção e delação, respectivamente.

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